quinta-feira, 25 de março de 2010

Capital da Cultura?


Queridos leitores
Rio de Contas acaba de ser escolhida para ser a Capital Baiana da Cultura, em 2010.

Mas como?

Uma prefeitura que não tem sequer uma Secretaria de Cultura e que mantém como Coordenador de Cultura um despreparado, que despreza e ridiculariza os artistas da cidade, que não dialoga com eles, mas ao contrário os persegue, principalmente se forem da política anterior; uma prefeitura que deixa o acervo de um artista como Zofir Brasil abandonado, se desfazendo, que não dá um centavo de ajuda à centenária Lira da cidade, que não tomou uma providência sequer para instalar o Museu Arqueológico, criado pela Câmara Municipal, cujo acervo continua em Salvador, nas mãos salvadoras da Universidade Federal da Bahia, que não dá nenhum tipo de apoio às Pastorinhas, aos Ternos de Reis, ao Bendegó, manifestações tradicionais da cidade, que organizou um carnaval de baixarias, desmoralizando o carnaval tradicional de Rio de Contas, que mantém o Centro Cultural nas mãos de uma universidade particular e de um programa da secretaria de educação (pró-jovem), sem realizar um curso sequer na área da cultura, um evento, uma programação mínima; que mantém o Teatro Municipal fechado e só é capaz de fazer uma meia-sola para recuperá-lo, depois de intensa campanha nossa; enfim, uma prefeitura imobilista, que não está nem aí pra cultura e para a arte, consegue ser considerada Capital Cultural?

Era de se supor que para ser uma capital da cultura, não bastasse o povo ter a sua cultura, mas que existissem políticas públicas bem sucedidas nessa área, que promovessem e valorizassem as manifestações locais.

Gostaria de entender os critérios dessa escolha, que colocaram Rio de Contas à frente de Cachoeira, por exemplo, uma cidade cheia de museus e de manifestações culturais organizadas, sede de uma universidade (do Recôncavo) e de tantas tradições importantes.

Isso apenas demonstra que toda essa teia burocrática de projetos e editais em que se transformou a gestão pública no Brasil e que faz a alegria de ONGs e consultores, frequentemente perde o contato com a realidade e envereda pelos caminhos do absurdo.

Rio de Contas pelo seu potencial poderia ser uma capital da cultura desde que os governantes fizessem a sua parte, ao invés de, diante das críticas, procurarem títulos para salvar as aparências.
Abraço a todos

Ricardo Stumpf

3 comentários:

Anônimo disse...

Eu acredito que temos coisas muito mais importantes para discutir antes da Cultura. Logo logo, esta questão será resolvida, assim como a questão do peixe. Prêmios incentivos, verbas, isso é como água com açucar para o Governo Federal para os municípios, independente da forma de administrar. Coisas mais sérias acontecem. Nós temos pessoas passando fome, uma juventude sem rumo sem pespectivas de futuro, afundando no mundo da droga,sem condições de estudar se casa do estudante, falta segurança pública, cresce o número de roubos, principalmente assaltos a mão armada, falta emprego, falta acia de tudo pessoas com ações, fazendo algo. Precisamos sir de trás dos computadores, das esquinas, dos botecos, lanchonetes e bares apenas criticando, precisamos ajir.

Marcos disse...

Caro Anônimo,

Não é a cultura uma coisa séria? Valorizar a cultura é buscar a solução de muitos problemas, como os citados: fome, rumos para a juventude, combate ao uso das drogas, educação formal, segurança...

Creio que cultura não se impõe e nem vem de cima baixa baixo. Tem que brotar do povo, e se a Prefeitura não apóia é porque a cultura riocontense ainda não tem a força que desejamos!

Confesso que fiquei surpreso com a escolha de Rio de Contas. Ela mostra que foi enfocado não o pouco que mostramos, mas o potencial que temos para apresentar!

Anônimo disse...

"Saco vazio não fica em pé" potencial tem de sobra, mais as pessoas presisam de trabalho para sobreviver, alimentos. A Cultura em Rio de contas estacionou não porquê não temos "força", mais sim porquê ela sempre foi utilizada para promover alguns. Quando chega alguma autoridade na cidade, alguma equipe de TV, ai sim correm às pressas atrás das pessoas para apresentarem gratuitamente como sempre.Agora políticas públicas para manterem estas pessoas não existem, é um conto de fadas. Alguns através de muito suor, outros nasceram em berços de ouro, ai sim podem fazer uma faculdade, formar em artes, música, pode viver da cultura, lá fora, aqui, somos meros escravos.Em certo ponto, a culpa é do povo que escolhe estes adiministradores.Prioridade é trabalho e comida no prato, ai depois podemos sambar e comemorar.