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quinta-feira, 7 de maio de 2015

Vídeo: Estrada Real da Bahia

Apresentada em 2014 pela TV Band Bahia, confiram abaixo a terceira reportagem da série sobre a Estrada Real na Bahia em que Rio de Contas foi o destaque.


quinta-feira, 2 de abril de 2015

IPHAN realizará vistoria em casarão de Rio de Contas

Rio de Contas é o terceiro conjunto histórico tombado na Bahia, atrás em importância apenas de Salvador e Cachoeira

A Superintendência do Iphan na Bahia realizará uma vistoria, na próxima semana, para avaliar os danos sofridos no casarão, que abriga uma agência bancária na cidade de Rio de Contas, devido a explosão durante a madrugada desta terça-feira, 31, em um assalto. O imóvel se insere no conjunto arquitetônico de Rio de Contas, que é objeto de tombamento pelo Iphan e inscrito no Livro de Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico em 08 de março de 1980.

A restauração do imóvel, a ser promovida posteriormente pelo seu responsável, será acompanhada e fiscalizada pelo Escritório Técnico do Iphan, situado em Rio de Contas. Como a explosão foi de grandes proporções, o Iphan estenderá a vistoria aos imóveis vizinhos, localizados na Praça da Matriz, e nos dois bens imóveis tombados individualmente: a Casa de Câmara e Cadeia e a Igreja do Santíssimo Sacramento.

Rio de Contas é uma das raras "cidades novas" coloniais, criada por Provisão Real, de 1745. O acervo é constituído basicamente por edifícios da segunda metade do século XVIII e início do XIX, de relevantes características arquitetônicas, que conservam o mesmo padrão adotado no litoral do estado, sendo os monumentos religiosos e públicos em pedra e o casario em adobe. A cidade apresenta praças e ruas amplas, igrejas barrocas e arquitetura civil sem paralelo em todo o Sertão Baiano.

Terceiro conjunto histórico tombado na Bahia, atrás em importância apenas de Salvador e Cachoeira, Rio de Contas também possui monumentos do século XVII, dentre eles: o Teatro São Carlos - um dos três mais antigos do Brasil e o mais antigo do interior baiano; Antiga Casa de Câmara e Cadeia - a mais temida prisão do sertão baiano que ainda tem o brasão do império na fachada principal e no pavimento térreo a cela das prisões;  Casa à Rua Barão de Macaúbas; Igreja Santana - construída por escravos durante a segunda metade do século XIX; Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento - é o templo mais importante da Chapada em termos artístico, considerado o melhor exemplar de arquitetura religiosa em todo o sertão baiano, com uma forte influência barroca; Orquestra Filarmônica Lira dos Artistas; Casa que pertenceu ao Coronel Carlos Souto - exemplo máximo da arquitetura da época do ouro; Mercado Público Municipal; Casa onde nasceu Abílio Cesar Borges, "O Barão de Macaúbas"; Clube Rio-contense  - local onde eram realizadas festas somente para os brancos; Antiga Prefeitura do município; Casa de Fundição - onde o ouro era derretido e transformado em barras, hoje funciona as instalações da atual prefeitura municipal.

Fotos: Kau Ferro e Sayonara Pinto 
Fonte: Ascom – Iphan - Ba

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Assalto ao Banco do Brasil foi destaque no Jornal Nacional

A explosão da agência do Banco do Brasil de Rio de Contas recebeu destaque na edição do Jornal Nacional. Era para ser apenas mais um dos crimes que as agências bancárias estão sofrendo cotidianamente, mas o fato de estar localizada em um prédio tombado pelo IPHAN foi noticiado em rede Nacional.

A nota pode ser conferida no link abaixo, onde também é possível assistir ao vídeo.

terça-feira, 31 de março de 2015

Grupo armado explode agência do Banco do Brasil de Rio de Contas

Crime ocorreu na madrugada desta terça-feira (31), em Rio de Contas.
Imóvel tinha mais de 200 anos e era considerado patrimônio histórico nacional.
Com explosão, agência do Banco do Brasil ficou destruída (Foto: Sayonara Trindade / VC no G1)


Cerca de 12 homens armados invadiram uma agência do Banco do Brasil, no município baiano de Rio de Contas, na região da Chapada Diamantina, na madrugada desta terça-feira (31). De acordo com o titular interino da 20ª Coordenadoria de Polícia do Interior (Coorpin/Brumado), Marco Torres, os criminosos chegaram à cidade por volta das 3h, cercaram a sede da Polícia Militar e explodiram caixas eletrônicos da unidade bancária, que ficou destruída.

Segundo informações da prefeitura da cidade, o imóvel que abriga a agência tem mais de 200 anos e é considerado patrimônio histórico nacional.

De acordo com Marco Torres, os criminosos estavam em um veículo modelo Doblô e chegaram ao município atirando para o alto. Enquanto parte do grupo cercava a sede da PM, o delegado detalha que os demais explodiam os caixas eletrônicos. Os homens conseguiram roubar o dinheiro dos equipamentos, mas a quantia levada ainda é desconhecida.

Com o término da ação, os criminosos fugiram em direção a uma localidade conhecida como Barragem. Em seguida, abandonaram e incendiaram o veículo usado no assalto. Até a manhã desta terça, nenhum dos envolvidos no crime foi localizado. A polícia segue em busca dos assaltantes.

Com informações do G1 Bahia

sábado, 21 de junho de 2014

Tradição e fé na Festa de Corpus Christi em Rio de Contas



O feriado é celebrado em todo o Brasil mas, em Rio de Contas este dia é repleto de significado e comemorações


O dia de Corpus Christi é comemorado com muita fé e dedicação em Rio de Contas, cidade que se tornou Patrimônio Nacional. Na festa, a população, com suas manifestações expressivas, faz homenagem ao padroeiro da cidade o Santíssimo Sacramento.


A cidade se transforma, a festa se reveste de características próprias e incorporou-se à vida social dos moradores. Populares e grande número de turistas se deslumbram com um dos eventos mais importantes da cidade, que proporciona um espetáculo maravilhoso de arte e religiosidade. Diversas atividades fazem parte da tradição: novenas, apresentações de banda filarmônica e corais, passeata, leilão, procissão, missa solene, chuva de papel picado e queima de fogos de artifícios. As fachadas das residências, prédios públicos e comerciais ganham um colorido todo especial. As ruas são decoradas com tapetes que formam figuras representativas da simbologia da festa, confeccionados com palhas de arroz, serragem, casca de ovo, areia colorida e cal.

Corpus Christi é uma festa que comemora a presença do corpo de Cristo no sacramento da eucaristia, pela transformação do pão e do vinho em corpo e sangue. As comemorações remontam ao século XII, quando o Papa Urbano IV a instituiu para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes.

Em Rio de Contas, a festa de Corpus Christi configura-se como a manifestação de uma cultura que perdura no tempo. É ao mesmo tempo passado e presente, e assim, ela deve ser interpretada e apreendida.

Rio de Contas: Patrimônio Nacional


Rio de Contas está situada na Chapada Diamantina e sua sede à margem esquerda do rio Brumado. A colonização da região teve início no final do século XVII, quando escravos foragidos se instalaram na margem esquerda do Rio de Contas Pequeno, atual cidade de Brumado que, em pouco tempo, tornou-se ponto de pouso para viajantes que das Minas se dirigiam para Salvador.


A descoberta de minas na região favoreceu a ocupação deste trecho da chapada quando, em 1745, dá-se a transferência de uma antiga vila - a de N. Sra. do Livramento de Minas do Rio de Contas - para o novo sítio, denominada Vila Nova de N. Sra. do Livramento e Minas do Rio de Contas. A Vila é elevada à cidade em 1885.

É uma das raras "cidades novas" coloniais, criada por Provisão Real, que apresenta praças e ruas amplas, igrejas barrocas e arquitetura civil sem paralelo em todo o Sertão Baiano. Este acervo é constituído basicamente por edifícios da segunda metade do século XVIII e início do XIX, de relevantes características arquitetônicas, que conservam o mesmo padrão adotado no litoral do estado, sendo os monumentos religiosos e públicos em pedra e o casario em adobe.

O prestígio e a opulência da cidade estão retratados nas edificações públicas, nos casarões e igrejas, objetos de tombamento pelo IPHAN. Em 1958, duas dessas edificações do período colonial, a Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento e a Igreja de Sant’Ana, foram tombadas isoladamente. O antigo Paço Municipal, um ano depois, foi incluído no Livro de Tombo. Somente em 1980, Rio de Contas tornou-se Patrimônio Nacional tendo o seu valor histórico-arquitetônico reconhecido.




Fotos: Manu Dias e Sayonara Pinto

Fonte: Ascom – IPHAN - BA

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Construções centenárias em Rio de Contas recebem intervenções de R$ 2,5 milhões do IPHAN

 O município baiano guarda as maiores riquezas da Chapada Diamantina em termos de história e cultura

Localizado na Chapada Diamantina, o conjunto arquitetônico do município Rio de Contas passa por intervenções promovidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O Programa de restauração que o Instituto desenvolve em parceria com a Prefeitura Municipal investirá R$ 2,5 milhões e atingirá toda a área tombada e construções centenárias, como a exemplo do Teatro São Carlos e a Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento, que passam por obras de restauro que propiciará a preservação de todo o patrimônio artístico neles existentes.
Rio de Contas é o terceiro conjunto histórico tombado na Bahia e está situado ao sul da região da Chapada Diamantina, distante 736 km da capital do estado, Salvador. As ações de fiscalização e orientação das intervenções nas obras protegidas do IPHAN, com o apoio da prefeitura, tem feito da cidade um cartão postal do patrimônio histórico brasileiro No município, as praças e ruas ainda apresentam o traçado antigo, com monumentos públicos e religiosos em pedra, casario em adobe e igrejas barrocas, o que justifica as obras feitas pelo IPHAN em todo o acervo monumental.
Para executar as ações de gestão e preservação dos bens culturais, sob sua responsabilidade, o IPHAN na Bahia conta com um escritório técnico em Rio de Contas, que responde também pelo conjunto arquitetônico e urbanístico de Mucugê e atende às solicitações de outros 50 municípios.
Conjunto arquitetônico colonial
Primeira cidade planejada do Brasil, além das belezas naturais, como cachoeiras, rios, riachos e formações rochosas, possui o mais bem preservado conjunto arquitetônico, com mais de 400 casarões tombados. Monumentos do século XVII fazem parte do cenário, dentre eles: o Teatro São Carlos - um dos três mais antigos do Brasil e o mais antigo do interior baiano; a Antiga Casa de Câmara e Cadeia - a mais temida prisão do sertão baiano que ainda tem o brasão do império na fachada principal e no pavimento térreo a cela das prisões.
Também estão no conjunto a Igreja Santana, (construída por escravos durante a segunda metade do século XIX); a Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento (templo mais importante da Chapada em termos artístico e considerado o melhor exemplar de arquitetura religiosa em todo o sertão baiano, com uma forte influência barroca); a Orquestra Filarmônica Lira dos Artistas (Casa que pertenceu ao Coronel Carlos Souto - exemplo máximo da arquitetura da época do ouro); além do Mercado Público Municipal; o Clube Rio-contense (local onde eram realizadas festas somente para os brancos); da Antiga Prefeitura do município; Casa de Fundição - onde o ouro era derretido e transformado em barras, hoje funciona as instalações da atual prefeitura municipal.

Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento

Situada na extremidade mais elevada da Praça Senador Tanajura - antiga Praça Matriz - a Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento é o templo mais importante da Chapada em termos artístico. Há um harmonioso conjunto de prédios antigos, que o compõem, destacando-se a antiga Casa de Câmara e Cadeia - atual Fórum. Segundo alguns autores, a Matriz do Santíssimo Sacramento constitui-se no mais relevante exemplar da arquitetura religiosa do sertão baiano, construída na segunda metade do século XVIII. No ano passado, o IPHAN- na Bahia concluiu as obras de restauro nos seus bens artísticos (móveis e integrados). Agora, se propõe a execução de serviços na sua estrutura arquitetônica: coberturas, esquadrias, instalações, pisos, revestimentos e, principalmente, estabilização de alvenarias na capela mór, sacristias laterais e arco cruzeiro.

Teatro São Carlos
O Teatro São Carlos encontra-se atualmente entre os 10 mais antigos do Brasil, sendo o mais antigo da Bahia, cuja inauguração data de 1892. Ao longo dos seus 122 anos foi palco de inúmeras apresentações, tanto por grupos locais como produções vindas de outras partes do país. Apesar de continuar a ser utilizado, o teatro carece de uma ampla reforma com o intuito de fornecer aos usuários o máximo conforto. O Teatro São Carlos funcionará como um espaço cultural, onde serão desenvolvidas ações e atividades de cunho educacional e cultural, voltadas à comunidade.

Fonte: Ascom-IPHAN-BA

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Arquivo Público de Caetité lança site em parceria com professores da UNEB

"Rio de Contas tem um Arquivo Público muito rico. Em nossa cidade ainda é muito comum as universidades efetuarem pesquisas e aulas de campo. Está na hora das universidades e poder público se unirem em prol de um retorno social e local dessas pesquisas. Precisamos que a cidade seja beneficiada pelos projetos de pesquisa e extensão. Espera-se também que o ensino chegue em breve."
Cópia digitalizada de A Penna, primeiro jornal do alto sertão da Bahia, editado entre os anos de 1897 e 1943, e fotos do arquivo pessoal da família do jurista, educador e escritor Anísio Teixeira. Estas são algumas das relíquias que integram o acervo do Arquivo Público Municipal de Caetité (APMC), fruto de projeto idealizado por professores da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), membros do Grupo de Pesquisa Cultura, Sociedade e Linguagem (GPCSL), em parceria com a Secretaria de Educação, Cultura, Esporte e Lazer da prefeitura de Caetité e a Fundação Pedro Calmon.

Parte do acervo do APMC ganhou versão virtual e está disponível no site Arquivo Caetité, lançado há duas semanas. Ali, os internautas podem encontrar fotos antigas do município, de pontos turísticos da cidade e documentos privados do Executivo, Legislativo e Judiciário. O site foi criado para tornar acessíveis a consulta pública e a pesquisa acadêmica desses conteúdos em todo o país.

Com informações da SECOM/BA

terça-feira, 2 de julho de 2013

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Nova versão da "Nega do Zofir" é colocada sobre a Serra das Almas


Uma nova versão da obra de arte, batizada pelo seu criador como “Escrava da Natureza”, ou simplesmente “Nega do Zofir”, foi colocada no mesmo lugar da anterior na manhã desta terça-feira (20/11). A partir de agora, quem passar pela “Estrada Ecológica”, que liga Livramento de Nossa Senhora a Rio de Contas,  vai poder, novamente, apreciar com reverência e entusiasmo a  mais famosa criada pelos artistas Zofir Oliveira Brasil, Barroco Abreu e Elpídio Martins, na década de 60, que misteriosamente desapareceu do seu expositor natural, em junho de 2010.
Opiniões divergem sobre o que possa ter acontecido com a arte original, uns afirmam que foi resultado de ato de vandalismo, outros acreditam em queda natural, visto que o monumento já estava bastante desgastado pelo tempo, mas só os laudos periciais podem desvendar o mistério. Até agora, nada foi oficialmente confirmado.
De acordo com Marcelo Badaró, secretário de turismo de do município de Rio de Contas e mentor da nova versão da “Nega do Zofir”, uma verdadeira operação foi montada para levar o monumento até o seu tripé original, no alto de uma pedra de origem vulcânica, na Serra das Almas. “Foi necessário mobilizar 15 homens para poder colocar a Peça sobre a pedra”, esclareceu Marcelo.
Do L12 Notícias

sábado, 1 de setembro de 2012

Lançamento do livro Alforrias em Rio de Contas – Bahia (Século XIX)


Completando duas décadas de atividades, a Editora da Universidade Federal da Bahia (EDUFBA) realiza, no dia 13 de setembro, quinta-feira, às 17h30, o terceiro Lançamento Coletivo de 2012. O evento acontece na Biblioteca Universitária de Saúde Professor Álvaro Rubim de Pinho, da UFBA, em Salvador. Na ocasião, os autores recebem o público – que pode adquirir os novos livros com um preço promocional – para coquetel e seção de autógrafos.
O Lançamento Coletivo EDUFBA – Setembro de 2012 apresenta nove obras de diferentes áreas do conhecimento, como Educação, Nutrição e História. O objetivo é proporcionar um intercâmbio entre os diferentes campos de estudos do âmbito universitário, facilitando o acesso da sociedade à produção acadêmica. Para a diretora Profa. Flávia Rosa, “além de celebrar o livro, os Lançamentos Coletivos da EDUFBA também refletem a diversidade da pesquisa da nossa Instituição”.
Ao longo dos seus 20 anos, a EDUFBA publicou mais de 800 livros. Recentemente, alcançou a média de 100 lançamentos anuais. Nesse período, “a Editora ampliou seus canais de disseminação, firmando parcerias em projetos como o Scielo Livros”, explica Rosa, que também ressalta a importância de apoiar políticas de acesso livre aos livros: “nossos autores, desde 2008, assinam os contratos de edição sabendo que o conteúdo será disponibilizado gratuitamente no Repositório Institucional da UFBA após seis meses de lançado”.
Atualmente, a EDUFBA conta com três livrarias próprias dispostas por campus da UFBA, além de estar presente em diferentes pontos de venda em todo o Brasil. Membro da Associação Brasileira das Editoras Universitárias (ABEU), a Editora conta com um Conselho Editorial e um processo anônimo de avaliação das obras, o que garante a qualidade e relevância de suas publicações.

Alforrias em Rio de Contas – Bahia (Século XIX)
Kátia Lorena Novais Almeida
Dividida em quatro capítulos, esta publicação apresenta um estudo das experiências dos escravos na conquista da liberdade no sertão baiano, mais especificamente na região de Rio de Contas, configurando-se como um rico material para a historiografia brasileira. Durante o processo de construção deste livro, foi realizado um levantamento prévio de diversos documentos da época, incluindo as cartas de alforria no Arquivo Municipal de Rio de Contas, tornando possível ao leitor conhecer as características dos escravos e as circunstâncias em que eles conquistaram a liberdade.
Preço especial de lançamento: R$ 25,00

terça-feira, 31 de julho de 2012

Conheça a biografia de Esther Trindade Serra

* Por Antônio Novais Torres

Esther Trindade Serra nasceu em 02 de junho de 1913, na cidade de Rio de Contas/BA. Filha de José Rodrigues Trindade e Elvira da Silva Trindade. “Rua da Ponte: a rua melhor do mundo/de crepúsculo mais lindo,/de horizonte azul, infindo…” (Esther Trindade Serra, Rua da ponte, a rua onde nasci…). Desde 1980 a cidade é tombada pela atual Secretaria do Patrimônio Histórico e artístico Nacional (SPHAN). A cidade histórica é patrimônio reconhecido como valor nacional e caraterizada por ser celeiro de artistas. Seu povo fiel às tradições e à cultura preserva e conserva o patrimônio arquitetônico antigo da cidade: ruas largas com calçamentos rústicos e seus casarios do passado, enfim todo o patrimônio histórico do lugar.

Irmãos de D. Esther: Antônio, Basílio, Cantídio, Dulce, Esther (a própria), Floripes, Guiomar, Hermano, Israel, Julieta, Kilda, Laudelina, Mário, Nair e Osmar.

Esther Trindade Serra foi uma mulher dinâmica, independente, versátil e destemida. Morou em Abaíra, no povoado de Jequi município de Iramaia, onde exerceu as funções de parteira e Oficial de Cartório. Em Brumado exerceu diversas atividades: pintora, escritora, poeta, política, conselheira, exímia oradora e parteira – o que mais gostava de fazer.

Amava a terra natal, nunca deixou de participar e de comandar os festejos do Santíssimo Sacramento, o maior acontecimento católico realizado em Rio de Contas e lutava pela preservação da beleza natural e das tradições do povo rio-contense. A cidade precisava conviver com o novo do progresso e preservar o antigo, um patrimônio histórico nacional. Lutava para essa finalidade.

Casou-se em 1935 com Pedro Esmeraldo Serra na Igreja Matriz de Macaúbas. Comemorou bodas de ouro em 1985 na Igreja Matriz de Brumado e o casal teve os seguintes filhos: Celeste, Célia, Olympio, Ordep, Bárbara, Ana Elvira, todos profissionalmente realizados e distinguidos pela competência e sapiência: Pedagogo, Antropólogo, Médico, Escritor, Poeta que herdaram a veia da inteligência da mãe, uma autodidata de inteligência refinada pela leitura.

Em Brumado foi secretária do Ginásio General Nelson de Melo, bibliotecária na Biblioteca Municipal Jarbas Passarinho, Vereadora, vice-presidente da Câmara, presidente da Casa, líder do Governo, oradora e elogiada por correligionários e adversários, pois no seu entendimento a amizade estava acima das divergências políticas e para todos tinha um tratamento igualitário.

Merece relatar outros feitos de D. Esther: Dedicou o poema Nossa Senhora dos Verdes ao brumadense Antonio Rizério Leite e compôs a letra do Hino do Hino do Município de Rio de Contas com melodia do maestro Esaú Pinto. Compôs o hino a São Sebastião padroeiro de Brumado, em 1959, apresentou o primeiro presépio vivo em frente da Igreja Matriz, com encenação teatral na Missa do Galo – O nascimento de Jesus.

Em sua homenagem a Câmara Municipal deu o nome de um logradouro público no bairro Jardim Brasil de “Rua Vereadora Esther Trindade Serra”. Os Vereadores Geraldo Leite Azevedo e Manoel de Souza Lima, pelo Projeto de Resolução n. 02/90 de 11 de maio de 1990, indicaram à Câmara de Vereadores de Brumado que nomeassem a sala da sessão Câmara o nome de auditório: Esther Trindade Serra.

Na qualidade de representante do povo fez várias indicações de interesse público e comunitários que foram acatadas, produzindo benefícios e homenagens, portanto uma vida pública repleta de realizações.

Declarações de Clara de Andrade Alvim: “Os poemas de Esther Trindade Serra, que formam o Guia Lírico, recriam, sobretudo, o encantamento da vida da cidade que ela nasceu e passou a mocidade”. “Através de sua fala, de seus atos, de sua pintura e de sua poesia, D. Esther é, pois, um exemplo para a população local e para os que vêm de fora, conhecer a cidade”.

Declarações de Robson Emmanuel Trindade Serra (sobrinho): “A pintora Esther Trindade Serra soube captar com tocante sensibilidade as imagens do nosso passado recente. Suas pinturas cheias de cor e alegria nos mostram cidades do interior, as paisagens da Chapada Diamantina e seu povo cheio de religiosidade e a chegada dos Bandeirantes desbravando o sertão em busca das nossas riquezas, os tropeiros, as feirinhas do interior, as festividades, a flora e a fauna com toda sua beleza ingênua”. “Os artistas com suas obras são os responsáveis pela História como um registro humano e que um povo que não tem cultura não tem passado nem futuro”.

Declarações de Ordep Trindade Serra: (filho) “Era uma mulher forte, enérgica, cheia de iniciativa. E de criatividade”. “Tinha muitos amigos e conhecidos. Muitas pessoas a procuravam em busca de ajuda”. “Gente pobre e desamparada, incluindo mendigos e prostitutas”. Pela Fundação Nacional Pró-Memória foi lançado o livro de poemas Guia Lírico de Rio de Contas (publicado postumamente) em 1987. A cientista e pensadora portuguesa Judite Cortesão disse que estava diante do trabalho de uma artista de valor com um estilo marcante, afirma Ordep.

“Um adversário político a procurou e ela fez um belo discurso a fim de propiciar-lhe boa estreia na cena pública. É que para ela, a amizade estava acima das divergências” O texto de Ordep é uma pérola de sentimentos, infelizmente não podemos transcrevê-lo na íntegra, por falta de espaço.

Declarações de Celeste Trindade (filha): No discurso de agradecimento a professora Celeste, na inauguração do CRAS da Baraúna em homenagem à sua mãe, relatou diversos feitos dela com destaque para o que segundo ela nem todos sabem – “é inerente à sua personalidade de mulher cristã, enorme caridade para com os mais pobres, os mais humildes, os desajustados, os oprimidos, os desassistidos, os excluídos”. Fazia partos desde o povoado de Jequi situado no município de Iramaia, nas roças a lombo de burro, aplicava injeções, acudia aos que a procuravam, visitava presos na cadeia, fazia visitas a parturientes prostitutas e cuidava das doenças inerentes à sua profissão sem preconceitos e falso pudor. Mas o que lhe dava maiores alegrias era o partejar.

Professora Celeste finalizou com o semblante carregado de saudades e emoções. Agradeceu pelo gesto de homenagear sua mãe de maneira que mais traduz o que foi a sua vida.

A Neta Rebeca deu o seguinte testemunho por intermédio de Celeste: “A vida de vovó, o seu testemunho diário de fazer o bem sem olhar a quem, foi que me deu forças para enfrentar a vida de deficiente visual causada pela mesma diabetes que a vitimou. Aprendi com ela a não conhecer e não alimentar preconceitos, a ver todas as pessoas como iguais”.

Declarações de Marise Trindade Lima (sobrinha): “Sou mãe de 11 filhos deles 6 partos foram feitos por tia Esther. Ela era uma mulher mandona. No Jequi caçava, montava em animais para fazer partos, contudo tinha medo de trovão, era muito festiva e fazia vatapá no dia do santo. Lembra que seu Pedro trabalhou na empresa Belaniza Pereira e que trabalhou num depósito de chumbo extraído de Macaúbas que era armazenado no galpão, onde hoje funciona a Cesta do Povo, e posteriormente era enviado pelos vagões da Leste Brasileiro até Santo amara da Purificação”.

Declarações de Esterlina Cardoso dos Santos (amiga): “Conheceu D. Ester por intermédio de Antônio Trindade, irmão de D. Esther, advogado provisionado que atuava em várias comarcas da região”. Grávida foi orientada por ele, que procurasse Esther que era parteira consagrada em Brumado. Foi à sua residência e acertou tudo e ela não cobrou nada pelos serviços de parteira. Era uma pessoa que não olhava a quem ajudar, fazia tudo por caridade. A partir de então, tornei-me sua amiga. Aparou Açucena e Simone. Ela não mereceu a morte que teve. A diabetes consumiu o seu corpo. Contou que o marido, alcoólatra, mandava o filho ir à venda comprar bebida e o menino, envergonhado, se esquivava e o pai o surrava e obrigava a fazer os seus mandados. Esther sabedora da situação dirigiu-se ao indivíduo e o reprimiu: “No dia que você mandar o menino comprar bebida eu mando a polícia prender-lhe”. “Aliás, isso eu mesmo faço”. Nunca mais o homem pediu ao filho para comprar cachaça.

O professor Eliane José Soares que hospedou a prima “Celestinha” fez um poema em homenagem à tia Esther por ocasião da Homenagem feita a ela pela acadêmica Célia Telles Dias que a escolheu como patronesse no seu trabalho realizado na Academia de Letras e Artes de Brumado (ALAB). Inspirado nas palavras e no relato de Célia produziu o poema que intitulou “Tia Esther”, abaixo mencionado.

TIA ESTHER

Como é bom ouvir falar/de quem soube amar,/e por amor/ fez partos, pariu, partiu. Mas antes de partir/fez contos/fez contos/e cantou. Cantou Hinos de Louvor. Antes de partir/ viu a vida. Pintou o que viu. E amou tudo,/ tudo que Deus criou: O que pariu/O que não pariu/O que cantou/O que viu/ O que pintou/O que viveu/da vida vivida./Amou a vida, enfim,/assim como Deus criou./E amou também a Deus,/amou com todo fervor;/Por isso que o seu canto/ é canto de louvor,/é canto de gratidão.

O casal Célia/Miguel Lima Dias ciceroneou Celestinha que havia estado aqui 20 anos atrás, mostrou-lhe o progresso da cidade e a cultura aqui desenvolvida, uma recepção que muito agradou a visitante.

Esclareça-se que D. Esther pintou em 1972, um mural que retrata de temas sugestivos sertanejos para ornar o gabinete do então prefeito e foi restaurado em 2003, pelo sobrinho Robson Trindade, também artista, que cultua e venera a tia Esther.

A sua pintura rica em cores versava sobre os temas que mais lhe inspirava: o sertanejo, as igrejas, casarios, santos, flores, animais e o povo humilde. Em seu perfil pugnava em defesa da natureza.

Pelo Decreto n. 4.533 de 15 de maio de 2012, o Prefeito do Município de Brumado decreta: Fi.ca denominado o CRAS – Centro de Referencias de Assistência Social – ESTHER TRINDADE SERRA, localizado na Rua Hortelina Alexandre de Oliveira, 235, Bairro Baraúna, integrado à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Cidadania.

Essa homenagem bem define o caráter e as caraterísticas da homenageada pelos seus atos e atitudes. Celeste Trindade representando a família recebeu e agradeceu pela homenagem à sua mãe, que bem o merece.

Na oportunidade o prefeito se explicou dizendo-se incompreendido pelo fato da destruição do mural pintado por D. Esther e que daria a Celeste e, por consequência a família, explicações pessoalmente.

Esther Trindade Serra faleceu em 31 de agosto de 1987, vitimada pela diabetes que a fez refém dessa doença devastadora do organismo. Encontra-se sepultada em Brumado no cemitério Municipal Senhor do Bonfim no jazigo da família.

Tudo acabou/Acabou…/D. Morte que tempo/ perdido o seu/você leva, mas,/cada um/permanece/ redivivo, na/lembrança dos que/vão ficando!/Você devia saber:/A saudade, é muito/semelhante à/ eternidade.

Com informações do Brumado Notícias

sexta-feira, 20 de julho de 2012

IPHAN assina convênios para recuperação de imóveis privados na Chapada Diamantina


A Superintendência Estadual do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) assinou convênios com o Banco do Nordeste (BNB) para financiamento de imóveis privados em áreas tombadas de três municípios da região da Chapada Diamantina. Os convênios irão viabilizar recursos, através de um fundo gerido pelo BNB com dotação de R$1 milhão para Rio de Contas; R$500 mil para Vila Gatu, distrito do município de Andaraí e R$ 1 milhão para Mucugê. A ação é resultado de mais uma medida do PAC das Cidades Históricas e completa o conjunto de doze obras em curso, coordenadas pelo Iphan na região. Os convênios foram assinados pelo superintendente do Iphan na Bahia, Carlos Amorim e pelos prefeitos de Rio de Contas, Márcio Farias, do município de Andaraí, Wilson Cardoso e Mucugê, Fernando Medrado.

Conforme o superintendente do Iphan na Bahia, o objetivo é recuperar os imóveis privados, localizados nessas cidades históricas. “O Iphan tem grande entusiasmo pela execução do que considera um verdadeiro plano de preservação dos sítios tombados da Chapada Diamantina”, afirmou Amorim. O financiamento de imóveis privados foi definido com uma das linhas estratégicas do PAC Cidades Históricas.

Com informações do Jornal Grande Bahia

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Autobiografia do maestro Esaú Pinto

O mestre de música Esaú Pinto é filho prodígio da cidade de Rio de Contas, situada na Chapada Diamantina, a 748 Km de Salvador. Tradicional lavra de ouro e diamantes a cidade guarda a lembrança dos anos prósperos: a bela arquitetura das casas, a cadeia e a igreja de Senhora Santana, um prédio inacabado, mas raríssimo em seu estilo com três naves e capela-mor. São famosos também seus artesãos e músicos.

O mestre Esaú dividia suas atividades entre a música e a profissão de farmacêutico, aviador de fórmulas. Regeu bandas em sua cidade, outras na sua região até Minas Gerais. Faleceu em 1985, a bordo de um ônibus entre Rio de Contas e Salvador, trazendo inclusive o depoimento que se segue, em manuscrito.

A leitura desta autobiografia nos permite conhecer um pouco da formação de um músico no interior, nomes de bandas e pessoas e até episódios históricos de projeção maior, como a passagem da coluna Prestes pela Chapada Diamantina. Enquanto compositor suas principais obras foram os dobrados “Gilson”, “Luiz Pinto” e “Paulo e Junior”, dedicados aos seus netos, além da valsa “Lina” e do bolero “Sonhos de Primavera”.

É com extrema felicidade que vejo ser publicada a história deste que foi pessoalmente um amigo, cujas obras por várias vezes executamos com a oficina de frevos e dobrados.

Fred Dantas

Esaú Pinto (autobiografia)

Eu, Esaú Pinto, nascido em dezoito de dezembro de mil novecentos e onze. Com a idade de oito anos freqüentei a escola primária, mas não fui feliz para continuar, pois morreu meu pai, e nós uma família muito pobre. Fui forçado a abandonar as aulas para trabalhar para defender o pão, não foi possível aprender quase nada, pois era só um professor para cento e quarenta alunos, eu ficava sempre na traseira pedindo àqueles alunos mais adiantados para me ensinar as lições.

Em mil novecentos e vinte e um, um velho músico que existia aqui convidou meu irmão mais velho, Antônio, para ensinar as primeiras lições de música, essas aulas não eram em lugar próprio para esse fim e sim na calçada do passeio da residência desse velho, pois existia no local uns degraus altos e, era ali naquele local que meu irmão ia solfejar essas primeiras lições, eu gostava muito de música, ficava assistindo com muito interesse, como o velho notou que eu estava com muita vontade de aprender ele me falou: - vamos ver se você solfeja essas primeiras lições, e eu, com muita coragem solfejei aquelas primeiras seis lições, como sejam breve, semibreve, mínima, semínima, colcheia e semicolcheia .

Ele me falou, bom como você está com muita vontade de tocar, eu tenho um trombone velho, vou lhe dar para você aprender a escala, depois você vai praticando nas partituras, o instrumento era daqueles verticais que se usava antigamente, era francês, e mesmo velho e colado de cera de abelha era afinado, eu fui tocando junto com os outros sem conhecer quase nada de música, era tudo de ouvido, e assim aconteceu quando veio a festa do Primeiro Centenário da Independência em mil novecentos e vinte e dois, eu já tocava junto com os outros, já no ano seguinte, surgiu um terno de Reis na casa do Juiz de Direito da Comarca Dr. Nelson Dórea.

Como aqueles assistentes notaram que eu estava com o instrumento naquelas condições, um deles me chamou e falou comigo, vou fazer uma vaca para arranjar dinheiro a fim de comprar um instrumento novo para você, e combinou com os outros, arranjaram dinheiro na quantia de duzentos e quarenta mil réis, foi quanto custou o bombardino que me ofereceram, este eu conservo até o fim da minha vida com muito ciúmes, pois ele me faz lembrar daquele tempo que eu fazia dele tudo que queria.

Em mil novecentos e vinte e quatro surgiu o mestre Alexandre Ramos Braga, músico aposentado do Primeiro Corpo da Bahia, no tempo do Maestro Wanderley, este mestre deixava pra mim todos os solos das músicas executadas, inclusive da Sinfonia “O Guarani”, que executávamos quase com perfeição, isso na Filarmônica Guarani, contando com mais ou menos vinte músicos, infelizmente esse mestre sofreu um derrame, morrendo instantaneamente.

Em mil novecentos e vinte e seis, com a morte do mestre, aqueles músicos já velhos, não sei porque, resolveram me botar como regente da banda, e eu com muito orgulho aceitei. Nessa ocasião existiam duas bandas de música em Rio de Contas, Guarani da qual eu era o regente, e Lira dos Artistas, na regência do Sr. Juvenal Cândido Oliveira, era uma grande política entre elas, pois cada qual procurava meios para fazer melhor. Também neste mesmo ano, quando da passagem dos revoltosos (Coluna Prestes) por esta cidade, atrás deles vinha a Força Gaúcha em perseguição aos mesmos, e aqui permaneceram uns trinta dias. No meio deles tinha três músicos, um sargento, um cabo e um soldado.

Falaram de mim com eles e os mesmos convidaram-me para tocar com eles e todas as noites nós tocávamos, havia um tenente chamado Alvino que gostava muito de música, este era meu protetor, todos os dias quando terminavam as farras, ele ia me levar em casa, e o mesmo me convidou para ir com eles para o Rio Grande do Sul, e eu, aceitei, mas quando falei com minha mãe e irmãos, todos eles se revoltaram e não deixaram que eu fosse.

Em mil novecentos e vinte e sete quando o governador Góes Calmon foi visitar a cidade de Caetité, fomos convidados para fazer uma recepção ao mesmo, nós fomos e fizemos tudo para agradar aos recepcionistas, saímo-nos muito bem, até fui levado nos braços para onde estava hospedado. Neste mesmo ano fui convidado para reger uma pequena Filarmônica perto de minha cidade num lugar por nome Mato Grosso, eu contratei com os mesmos e ia lá dar ensaios dois dias na semana, logo surgiu contrato para outro local chamado Furna (hoje Arapiranga) distrito de Rio de Contas, também aceitei ficando responsável pela regência de três bandas, a Guarani, em Rio de Contas, Lira Santo Antônio, em Mato Grosso, e a Lira São Bernardo, em Arapiranga.

Veio uma seca muito forte no sertão arruinando muito, e eu fui dispensado dos dois contratos, fiquei somente com a Guarani, da qual não recebia nenhum dinheiro. No mês de abril de mil novecentos e trinta e quatro tive convite do Sr. José Cangussú, prefeito de Espinosa, no Estado de Minas Gerais, para reger a Filarmônica local, segui viagem em oito de maio seguinte. Lá me casei no dia oito de junho de mil novecentos e trinta e seis. Ganhei meu primeiro filho em quatorze de setembro de mil novecentos e trinta e oito, permaneci lá até o ano de mil novecentos e trinta e nove, quando surgiu outra seca, havia um atraso no meu pagamento (ordenado), e resolvi voltar para o meu Rio de Contas.

Viajei de volta no dia doze de maio do mesmo ano. Em setembro fui convidado a ir a Piatã a fim de reger a Filarmônica Bonjesuense, segui viagem para este local no dia dezoito do mesmo mês. Lá nasceram três dos meus filhos, permaneci até abril de quarenta e quatro, quando fui convidado para reger a Filarmônica de Católes (distrito de Piatã, hoje distrito de Abaíra) com melhores vantagens, segui viagem em vinte e cinco do mesmo mês abril, lá nasceram mais dois filhos. Nessa Vila, eu era regente de banda local, e comerciante de produtos farmacêuticos, quando surgiu em Rio de Contas uma farmácia disposta à venda, eu arranjei sócio e fiz o negócio com o dono da farmácia, seguindo viagem em vinte e oito de abril de quarenta e oito. Aí fui dar assistência à Lira dos Artistas que era minha rival até mil novecentos e trinta e quatro, quando fui forçado a deixar minha terra em busca de um meio melhor der vida.

Com minha saída para Espinosa, a Guarani foi desaparecendo, não existindo desde o ano de trinta e oito. Em Rio de Contas, nasceu mais um filho em cinco de julho de mil novecentos e quarenta e oito. Em quarenta e nove comprei a parte da farmácia do meu sócio, continuando no comércio, em vinte de dezembro do mesmo ano nasceu a última filha da minha primeira mulher, que infelizmente desapareceu falecendo em vinte e oito de janeiro de cinqüenta e dois. Eu fiquei tão desorientado que abandonei a música por algum tempo, pois estava com oito filhos menores sem ter a assistência da mãe, e eu que estava à frente de tudo, no lugar de pai e mãe, mas com o tempo foi melhorando aquela situação, porque não dizer aquela paixão que descontrolava toda minha vida, quando surgiu uma moça quase da minha idade (Lyra de Castro Trindade) uma pessoa muito fina, uma santa disposta a casar comigo, eu aceitei, pois precisava de uma pessoa que zelasse pelos meus filhos como se fosse mãe.

Assim aconteceu, me casando pela segunda vez, no dia vinte e quatro de fevereiro de mil novecentos e cinqüenta e quatro, nessa ocasião já voltava a vontade de continuar com a música. Já em quatro de novembro de cinqüenta e seis nascia meu primeiro filho da segunda mulher, em seguida em quinze de março de cinqüenta e oito, nascia a segunda filha (Ana Maria) que é a que mora comigo, me zelando da melhor forma possível que um filho pode fazer por um pai, depois em vinte e sete de abril de cinqüenta e nove nasceu meu último filho no total de onze, que me orgulho tanto em possuir filhos tão bons, e que adoro tanto.

Assim foram se passando os anos, eu sempre à frente da regência da Lira dos Artistas, isso sem nenhum ordenado ou interesse de dinheiro, pois faço tudo que me é possível, até gastando dinheiro do meu próprio bolso para mantê-la. Hoje sou aposentado no comércio pelo INPS, estou feliz, pois ganho o suficiente para viver como pobre, não pensando mais nas dificuldades que vivi na minha mocidade, para dar alimentação e a educação que me foi possível aos meus filhos.

Outrossim, em mil novecentos e setenta e seis quando casou Ana Maria, minha mulher adoeceu, sofrendo mais de três anos e eu fiz de tudo que possível para lhe dar saúde, tudo em vão, quando Deus a chamou no dia vinte e quatro de setembro de setenta e nove. Assim vou vivendo pedindo a Deus vida e saúde para continuar com a música até o fim da minha vida.

Rio de Contas, 12 de agosto de 1985.

Esaú Pinto

terça-feira, 15 de novembro de 2011

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Iphan entrega obras da Igreja de Santana em Rio de Contas e do Cemitério de Santa Isabel em Mucugê.


Nos próximos dias 24 e 25 de agosto, a Superintendência do Iphan na Bahia entrega as obras de Conservação do Cemitério de Santa Isabel, no município de Mucugê, e as obras de Conservação e estabilização da Igreja de Santana, no município de Rio de Contas, respectivamente.

Foram investidos recursos do PAC das Cidades Históricas, na ordem de R$ 650.000,00 (seiscentos e cinquenta mil reais) em Rio de Contas, e na ordem de R$ 250.000,00 (duzentos e cinquenta mil reais) em Mucugê.

Na primeira intervenção foram realizados principalmente os serviços de substituição de cobertura, revisão geral da estrutura do telhado, revisão de instalações, reforço de alvenarias e estruturas, construção de anexo com espaços de apoio, urbanização do entorno imediato e adequação à legislação de acessibilidade universal, etc.

Já no Cemitério de Santa Isabel, foram executados serviços de revisão de instalação elétrica, construção de mausoléus em gavetas, limpeza geral, paisagismo, pintura e recomposição de alvenarias e adornos, etc.

A Igreja de Santana, Rio de Contas

A igreja de Santana além de integrar o Conjunto Arquitetônico protegido de Rio de Contas, foi tombada individualmente pelo IPHAN em 1958 através do processo nº 0446-T, sob a inscrição nº 325 do Livro Histórico.

Trata-se de monumento da primeira metade do século XVIII, assim descrita no processo de tombamento “recuada em relação às edificações vizinhas e precedida por um adro que se articula com sua nave por ampla escadaria. Em alvenaria de pedra, nunca chegou a ser concluída, tendo suas obras paralisadas, em torno de 1850, devido ao êxodo da população local para outra região mineira. Sua composição adota raro partido, com três naves e capela-mor que se comunica com as sacristias que lhe são justapostas, através de arcos. No fundo da capela-mor, janelas altas conferem-lhe uma característica especial. É possível que este modelo tenha sido trazido à região pelos mineiros que aí chegaram no período do ciclo diamantífero. Naves laterais e torres não ultrapassam o nível do térreo e, ao que tudo indica, seriam as primeiras recobertas por galerias. Seu frontispício apresenta três portas de acesso em arco pleno, superpostos por janelas rasgadas de igual número, sendo encimada por frontão recortado e pináculos que coroam os cunhais. Seus muros em alvenaria de pedra não são rebocados, exceção feita ao frontão e trecho superior da fachada”.
O Cemitério de Santa Isabel, Mucugê

Integrante do Conjunto Arquitetônico e Paisagístico, tombado em 1980 através do processo nº 0974-T-78, inscrito no Livro Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico sob o nº 081, assim descrito “o cemitério de Santa Isabel implanta-se na encosta rochosa da Serra do Sincorá, a noroeste da cidade de Mucugê. Sua construção foi iniciada em 1854, pela Câmara Municipal e concluída em 1886, quando uma epidemia assola a Vila. A escolha deste sítio deveu-se, provavelmente, à existência de terrenos planos fáceis de escavar e próximos da cidade. O cemitério está dividido em duas partes: uma plana, murada, situada sobre os terrenos de aluvião do vale onde estão as covas rasas e a outra, constituída por um conjunto de mausoléus implantado sobre a encosta rochosa da serra. Os mausoléus brotam da rocha nua, como a vegetação, numa integração similar às "locas" ou "tocas", habitação dos garimpeiros que na região se instalavam. O arranjo paisagístico integra os mausoléus, como forma, à rocha em decomposição, concorrendo para tal os elementos arquitetônicos empregados. A distinção é promovida pela cor dos mausoléus, constituídos em pedra e/ou tijolos, revestidos de reboco, caiados. Muitos terminam em arcos ornamentais, coroados quase sempre por pináculos; outros tantos são miniaturas de igrejas e capelas”.

Ainda na Chapada Diamantina, encontram-se em fase de contratação as obras de Conservação do Cemitério e Igreja de São Sebastião, com previsão de investimento de R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais); da Praça do Mercado, com previsão de investimento de R$ 100.000,00 (cem mil reais), ambos em Andaraí, distrito de Igatú; e dos serviços de Restauração dos Bens Móveis e Integrados da Igreja do Santíssimo Sacramento, em Rio de Contas, com investimentos previstos na ordem de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), intervenções estas objeto dos Acordos de Preservação do Patrimônio Cultural – APPC do PAC das Cidades Históricas, a serem executados ainda no ano de 2011.

Com informações da Assessoria de Comunicação do IPHAN

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Monumento nacional, Rio de Contas, ganha website via edital do IPAC

Com informações do JussiUp


Localizada no centro-sul baiano, na região da Chapada Diamantina, a cidade de Rio de Contas, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Monumento Nacional, desde 1980, agrega agora sua visibilidade histórica às novas tecnologias digitais, graças a um website especial. Trata-se de mais um projeto vencedor dos editais do Governo do Estado, via Secretaria de Cultura, que o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) oferece para 417 municípios baianos.

“Os editais permitem que a sociedade civil proponha projetos efetivos em defesa do patrimônio, participando qualquer edificação ou manifestação cultural que seja reconhecida oficialmente pela União, Estado ou Municípios onde estejam inseridas”, afirma o diretor geral do IPAC, Frederico Mendonça. Ele relata que de 2008 a 2010 o IPAC já executa 73 projetos com investimento de R$ 2 milhões do Fundo de Cultura da Bahia.

O website da cidade de Rio de Contas que tem animação e sistema 3D (três dimensões) foi aprovado através do edital do IPAC n°14/2010 de Apoio a Projetos de Valorização do Patrimônio. “É o resultado de dois anos de pesquisa acadêmica na área de conservação e restauro, realizada no Programa de Pós Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia”, explica o idealizador e coordenador do projeto, mestre em Arquitetura e professor universitário Fabiano Mikalauskas.

A pesquisa discute a documentação arquitetônica de sítios histórico-culturais, utilizando tecnologias digitais. A previsão é que o website esteja no ar até o final deste mês (junho, 2011). O website sobre o acervo de Rio de Contas é constituído de base de dados multimídia digital com fotografias antigas e contemporâneas, croquis cortados de fachadas e monumentos, depoimentos de personagens locais, modelos em 3D de imóveis tombados e das paisagens do município.


A navegação no website será por meio de mapa interativo do Rio de Contas, urbe criada pela Provisão do Reino de Portugal em 1745, como a primeira cidade planejada do Brasil. Ela preserva traçado urbanístico antigo, praças e ruas amplas, igrejas barrocas, monumentos públicos e religiosos em pedra e casario em adobe. “O objetivo é não divulgar apenas a herança, patrimônio histórico e arquitetônico, mas proporcionar interação entre o município, pesquisadores, gestores públicos e interessados”, conclui Mikalauskas.

Além de conter informações sobre o município, o website coletará informações. Ao se cadastrar o usuário poderá contribuir enviando documentos e dados. O acesso se dá através do www.acervoriodecontas.ufba.br. Confira os editais e as ações do IPAC no www.ipac.ba.gov.br.

FOTOS anexas e no Flickr/SecultBA: http://www.flickr.com/photos/secultba/sets/72157626752191296/

Crédito Fotográfico obrigatório: Lei nº 9610/98


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Patrimônio Histórico está sendo recuperado pelo IPHAN

Do L12/Livramento

A história de um povo muita das vezes se encontra em vestígios e em monumentos históricos. Em Rio de Contas, situada a sudoeste da Chapada Diamantina, boa parte da história ficou registrada em edificações antigas que representam grande valor histórico-cultural.

Uma dessas edificações, a Igreja de Nossa Senhora Santana, está sendo revitalizada pelo Iphan - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que aos poucos reconstroem locais de importância histórica.

A Igreja, que está situada à Rua Álvaro Dantas, teve a sua construção iniciada na primeira metade do século XIX. Construída pelos escravos, usando pedras sobre pedras que permaneceram nuas, sem acabamento, como a demonstrar a todos a perfeição do trabalho desenvolvido àquela época.

O Templo possui três naves e uma capela-mor, constituindo uma obra completamente rústica. É cercada por janelas ao alto e em derredor de toda a sua construção. Suas obras foram interrompidas por volta de 1850, com a crise da exploração das minas de ouro do município, ficando a Igreja inacabada e sem teto. Mesmo assim, isso não impedia que se celebrassem os atos litúrgicos em seu interior. Havia missas, novenas, casamentos e batizados... Muitas vezes os fiéis passavam frio e tomavam chuva durante as celebrações. Somente em 1957 foi construída uma cobertura de telha-vã, que até hoje é conservada.

A redação do L12 foi até Rio de Contas e falou diretamente com o Sr. Fernando Pinto, responsável pela da obra.