sábado, 28 de março de 2009
I Seminário de Gestão das Águas e Mudanças Climáticas tem nova data
O evento é uma pareceria da Prefeitura Municipal de Rio de Contas através da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Recursos Hídricos com o INGÁ, SFC - DUC e pretende discutir sobre as águas, desmatamentos, poluição, incêndios florestais e demais assuntos da área no município de Rio de Contas.
UESB abre inscrições para o Vestibular 2009.2 com novos cursos
O processo seletivo traz para os candidatos a oferta de cinco novos cursos: Medicina, em Jequié; os bacharelados em Biologia e Química, em Itapetinga; bem como as licenciaturas em Artes Cênicas, com habilitação em Teatro ou Dança, no campus de Jequié e Filosofia, em Vitória da Conquista.
Serão disponibilizadas 160 vagas para os três campi, além de 15 vagas de cotas adicionais para indígenas, quilombolas e deficientes. As inscrições serão realizadas no período de 28 de abril a 19 de maio, no site da Instituição. Já as inscrições para isenção total e parcial do pagamento da taxa de inscrição do processo seletivo, acontecerá entre os dias 1º e 8 de abril.
Mais informações, através dos telefones (77) 3424-8607, (73) 3528-9695 e (77) 3261-8702, respectivamente em Conquista, Jequié e Itapetinga.
Leia também: “Vestibular 2009.2: relação dos filmes e livros”.
Deputada Neusa Cadore (PT) apresenta porjeto de lei em prol de Associação Riocontense
Dados Gerais
Número: PL./17.878/2009
Data de Entrada: 24/03/2009
Origem: LEG
Regime: ORDINÁRIO
Ementa: Declara de Utilidade Pública a Associação da Brigada Comunitária Gaviões da Chapada de Rio de Contas, com sede e foro no município de Rio de Contas.
Tramitação nas Comissões
1. Comissão de Constituição e Justiça
Arquivos Vinculados
Tramitação
24/03/2009 - Protocolo n. 739/2009
25/03/2009 - Encaminhado à Divisão de Atos Oficiais
25/03/2009 - Recebido
26/03/2009 - Publicado no Diário do Legislativo nº 19.948
26/03/2009 - Encaminhado à Divisão de Controle do Processo Legislativo
26/03/2009 - Recebido
26/03/2009 - Autuado
27/03/2009 - Entrada na pauta para apresentação de emendas de 27/3/2009 até 13/4/2009
27/03/2009 - Encaminhado à Secretaria Geral das Comissões
Setor responsável: Secretaria Geral da Mesa
Fonte: Assembleia Legislativa do Estado da Bahia
Carta de Rio de Contas cobra mais investimentos em Educação
Representantes de 18 municípios dos territórios de identidade Sertão Produtivo, Bacia do Paramirim, Vitória da Conquista, Chapada Diamantina e Bacia do Rio Corrente, participaram do “Seminário Unidos e Fortes para Superar Desafios”, promovido pela deputada Marizete Pereira (PMDB), na cidade de Rio de Contas, no último final de semana. O evento foi aberto pelo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, com a participação do vice-governador Edmundo Pereira, de 12 prefeitos, 48 vereadores, secretários municipais, vice-prefeitos, ex-prefeitos e lideranças políticas ligadas ao mandato.
Ao final do encontro, os participantes aprovaram a Carta de Rio de Contas, cobrando dos governos estadual e federal a implantação de cursos profissionalizantes de nível técnico e superior, vez que menos de 2% dos alunos chegam à universidade, “dado que revela a perversidade de um sistema excludente, perpetuado para manter a região no atraso social e econômico que caracteriza a maioria dos municípios envolvidos”, segundo o documento.
De acordo com Marizete Pereira, o objetivo primordial do seminário foi apoiar a capacitação dos gestores para a administração do conjunto dos recursos públicos, de forma a atender às necessidades mais prementes da população, além de promover o desenvolvimento equilibrado e sustentável.
Durante os dois dias do evento, os participantes assistiram às palestras proferidas pelo Secretário Juliano Matos do Meio Ambiente, e técnicos do Ministério da Integração Nacional, do Tribunal de Contas dos Municípios e das secretarias estaduais da Educação, Saúde e Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza.
O seminário visou ainda favorecer a integração entre as administrações dos municípios. “A troca de experiência, de informações, é um poderoso instrumento de trabalho para os prefeitos, especialmente aqueles que estão iniciando agora o mandato”, disse a deputada. (em 23.03.2009)
Fonte: PMDB
sexta-feira, 27 de março de 2009
Projeto Vertentes do Português Rural da Bahia da UFBA relizou pesquisa em Rio de Contas
por Dante Lucchesi e Jorge Augusto Alves da Silva
O ponto azul indica a localização de Rio de Contas no estado da Bahia
No município de Rio de Contas - Bahia (13.º 34' 44 de Latitude Sul e 41.º 48' 41 de Longitude Oeste), foram recolhidas amostras de fala nas comunidades rurais afro-brasileiras isoladas de Barra e Bananal.
A ocupação da região de Rio de Contas se inicia na última década do século XVII, através do estabelecimento de uma rota de viagem entre Goiás e o Norte de Minas e a cidade de Salvador, capital da então Província da Bahia. Com o intuito de se estabelecer um "ponto de pouso", nesta rota de viagem, foi fundado um pequeno povoado com o sugestivo nome de Creoulos, situado em um planalto da serra das Almas, na margem esquerda do Rio de Contas Pequeno, atual Rio Brumado.
Não tardou a descoberta de veios e cascalhos auríferos, não apenas no Rio de Contas, como também em seus afluentes e serras circunvizinhas. A fundação de Mato Grosso, três léguas acima do antigo povoado de Creoulos, subindo o Rio Brumado, a 1450 metros de altitude, se deu no bojo do grande afluxo de bandeirantes mineiros e paulista para a região. Os jesuítas que acompanharam os bandeirantes ergueram no novo povoado uma igreja sob a invocação de Santo Antônio.
O desenvolvimento da mineração e o aumento da população do povoado foram de tal monta que, em 1718, foi criada a primeira freguesia do Alto Sertão Baiano - ou Sertão de Cima -, com denominação de Santo Antônio de Mato Grosso. Entretanto, em 1722, o Conselho Ultramarino decide criar, em função de uma carta dirigida ao Rei D. João V pelo Vice-Rei D. Vasco Fernandes César de Menezes, a Vila de Nossa Senhora do Livramento das Minas de Rio de Contas, doze quilômetros abaixo do antigo povoado de Creoulos, onde os jesuítas haviam erigido outra igreja, esta em devoção a Nossa Senhora do Livramento; e onde atualmente se situa a cidade de Livramento do Brumado. Porém, uma nova reviravolta no povoamento da região aconteceria em 1745, quando uma Provisão Régia autoriza a mudança da sede da vila para o antigo povoado de Creoulos, que passou a se chamar Vila Nova de Nossa Senhora do Livramento e Minas do Rio das Contas, enquanto que a antiga sede passou a ser conhecida por Vila Velha.
Essa mesma Provisão também elevou a nova vila à categoria de freguesia, transferindo para aí a sede da freguesia de Santo Antônio de Mato Grosso, com a denominação de freguesia do Santíssimo Sacramento das Minas do Rio de Contas. Assim, enquanto Mato Grosso era deslocada para uma posição lateral mais isolada, para Rio de Contas iam afluindo todos os recursos e benefícios da atividade mineradora, o que se refletia no seu crescimento urbano. Lá foram construídos a Casa de Fundição, o Pelourinho e o edifício da Casa da Câmara e Cadeia Pública, este no início do século XIX, e até hoje conservado. Porém o crescimento aos poucos vai se estagnando com o progressivo esgotamento dos veios e cascalhos auríferos. E, à medida em que a atividade de mineração decrescia, diminuía também o nome do Município. Em 1840, foi simplificado para Minas do Rio de Contas; e, em 1931, foram-se as minas, e o Município passou a se chamar, simplesmente, Rio de Contas.
século XVIII e início do século XIX e hoje é um dos
seus principais edifícios históricos.
Barra e Bananal são povoados constituídos por uma população afro-descendente. Bananal foi fundado por negros escravos por volta do século XVII. Segundo Leonardo Sakamoto, a história dos dois vilarejos está ligada ao naufrágio de um navio negreiro vindo da África. Os sobreviventes procuraram um lugar seguro para sobreviver e, seguindo o curso do Rio de Contas, escolheram as cabeceiras do rio Brumado, ficando lá, praticando a agricultura de subsistência e cultivando suas tradições. Bandeirantes, chefiados por Antônio Raposo Tavares, teriam escravizado os quilombolas que foram obrigados a trabalhar na mineração.
Barra fica a uma distância de dois quilômetros de Bananal. Seus habitantes continuam a praticar a agricultura de subsistência e vivem em condições precárias de saneamento e educação. A endogamia é uma prática comum nos dois povoados.
A indústria do turismo instalada em torno da região do município de Rio de Contas veio quebrar o isolamento das duas comunidades. São freqüentes as visitas de turistas e estudiosos a fim de conhecerem os moradores dos dois povoados. Como ocorreu na comunidade de Cinzento, algumas das tradições de origem africana foram se perdendo por contato com a cultura branca européia, especialmente, pelos valores do catolicismo que se tornou a religião predominante. Uma publicação oficial do Arquivo Municipal de Rio de Contas refere-se apenas ao catolicismo e a algumas igrejas evangélicas.
Paisagem da comunidade rural afro-brasileira de Bananal,
no Município de Rio de Contas, na Chapada Diamantina - Estado da Bahia.
Alan Baxter e Dante Lucchesi com um morador da comunidade afro-brasileira
de Barra, no Município de Rio de Contas.
Dante Lucchesi e o antropólogo Marcos Luciano, que colaborou com a pesquisa de campo do Projeto Vertentes, no caminho que liga as comunidades de Barra e Bananal, no Município de Rio de Contas.
Fonte: Projeto Vertentes UFBA
Bananal: Trabalho e Vivência em uma Comunidade de Negros
Albertina Lima Vasconcelos
Argemiro Ribeiro de Souza Filho
mirovisky@hotmail.com
RESUMO
Neste artigo, analisamos a comunidade negra de Bananal, localizada nas proximidades do Município de Rio de Contas, Bahia. Utilizando a técnica da História Oral, colhemos depoimentos de moradores do arraial e procuramos resgatar suas perspectivas de vida frente às lembranças e trajetórias familiares, que se confundem com o percurso histórico da comunidade. Vemos revelarem-se, assim, múltiplos aspectos do cotidiano dos arraiados que trabalham como lavradores e cultivam hábitos e costumes seculares, a despeito de inúmeras transformações impostas pelo Estado, que intervém na comunidade com políticas, tecnologias e valores próprios da sociedade moderna.
PALAVRAS-CHAVE : Comunidades Negras; Memória; Racismo; Resistência.
Leia o artigo completo clicando aqui
Fonte: Revista Politéia/UESB
Rio de Contas terá acesso facilitado com voo para Chapada - destaca O Globo
[...]
A Trip iniciou suas operações em julho de 2008 com vôos partindo de Salvador a Vitória da Conquista, passando a servir também Natal e Fernando de Noronha (a partir de Vitória). Desde o dia 16, já voa para Petrolina, em Pernambuco, e Vitória da Conquista (BA) e no dia 25 de abril, estreia a rota para Lençóis a partir de Salvador.
Enquanto a rota para Petrolina beneficia quem planeja conhecer o roteiro de enoturismo do Vale do São Francisco, o voo para Lençóis marca a reativação do aeroporto que atende à região da Chapada Diamentina. Atualmente, para visitar o Parque Nacional da Chapada Diamantina é preciso partir de carro ou de ônibus numa longa viagem de mais de cerca de 425 quilômetros entre Salvador e Lençóis.
O voo de Salvador a Lençóis terá frequência semanal, aos sábados, e duração de 55 minutos. O bilhete custa a partir de R$ 199. A cidade, que ainda conserva sua arquitetura em estilo colonial, é principal porta de entrada para o Parque Nacional da Chapada Diamantina, com seus atrativos naturais e culturais. O novo voo vai facilitar também o acesso a cidades como Rio de Contas, Morro do Chapéu, Andaraí e Vale do Capão, que também atraem visitantes com o ecoturismo e o turismo de aventuras. A viagem de Salvador para Vitória da Conquista dura 60 minutos, com frequência diária. A passagem aérea está sendo oferecida por a partir de R$ 149.
Fonte: O Globo
quinta-feira, 26 de março de 2009
Destinação futura dada ao esgoto de Rio de Contas vai parar no Ministério Público
O jornalista Raimundo Marinho, de “O Mandacaru”, que também é advogado, protocolou REPRESENTAÇÃO na sede do Ministério Público da Bahia, em Salvador, dia 17.03.2009, solicitando a intervenção do órgão para impedir que os dejetos sanitários da cidade de Rio de Contas venham ser lançados na Cachoeira de Livramento, no município de Livramento de Nossa Senhora. Os termos da REPRESENTAÇÃO foram:
“Ilmº. Sr. Dr. Chefe do Ministério Público do Estado da Bahia
RAIMUNDO MARINHO DOS SANTOS (...), no exercício da cidadania, vem representar junto a este órgão, pugnando pelas providências exigidas, contra Estado da Bahia, Empresa Baiana de Água e Saneamento-EMBASA, ambos com endereço no Centro Administrativo da Bahia, Salvador, Prefeitura de Rio de Contas e Construtora Franco Araújo, localizadas, para efeito de notificação, em Rio de Contas, Bahia, todos pela ameaça efetiva de atentado ao meio ambiente e, principalmente, contra a saúde da população dos municípios de Livramento de Nossa Senhora e Dom Basílio, e áreas de influência, localizados no final da Chapada Diamantina, Sudoeste do nosso Estado, pelo que a seguir relata:
OS FATOS
- Realizam-se na cidade histórica de Rio de Contas, a nove quilômetros de Livramento de Nossa Senhora e aproximadamente a 20 quilômetros da vizinha Dom Basílio, obras de esgotamento sanitário, envolvendo rede coletora, estação de filtragem de resíduos sólidos e adutora para descarte final.
- Ocorre que o resíduo líquido final – ponto da nossa preocupação – será lançado, a nosso ver de modo indevido, na principal corrente fluvial da região, o Rio Brumado, mais precisamente em uma das mais belas quedas de água da Bahia, com 300m de altura, conhecida como “Cachoeira de Livramento”, em plena Serra das Almas.
- O fato, por si só repugnante, por nós denunciado em 11.02.2009, através do site www.mandacarudaserra.com.br, vem causando profunda indignação entre os moradores daqueles dois municípios e teve forte repercussão na Câmara de Vereadores de Livramento de Nossa Senhora, tema de duas sessões seguidas.
- A justa indignação resulta do risco que os dejetos, mesmo ditos tratados e a serem despejados diretamente na Cachoeira, representam para os moradores, pois a água dessa cachoeira, pertencente ao Rio Brumado, é destinada ao consumo humano e dos animais e amplamente utilizada para irrigação, incluindo hortifrutigranjeiros de exportação, que se tornaram a base econômica da região.
- A cachoeira é também considerada um santuário ecológico da Chapada Diamantina, “Cartão Postal” e principal ponto turístico daquela área do sudoeste baiano. Além de risco para a saúde das pessoas, sua contaminação certamente afugentará o fluxo turístico, que desponta como vetor econômico importante para a região.
- É sabido que a EMBASA, a quem a obra é atribuída e que será a responsável pelo monitoramento do sistema, é reconhecidamente ineficiente no sertão, gerando justificadas desconfianças quanto à eficácia do tratamento sanitário. Pior ainda será se ficar sob a responsabilidade da Prefeitura de Rio de Contas, que não possui estrutura para tanto.
- Não obstante, é sabido que a forma de tratamento de dejetos que está se instalando em Rio de Contas apenas filtra os resíduos sólidos, remanescendo a contaminação bacteriana. Daí o alto risco para a população, com tendência a se ampliar para animais e lavouras.
- E basta a simples suspeita de contaminação da cachoeira, para afastar os turistas da área e os compradores dos produtos colhidos em lavouras irrigadas com suas águas, como a manga e o maracujá, atualmente exportados para Europa e América do Norte.
- O risco de contaminação é tão evidente que o lançamento dos dejetos será feito distante da cidade de Rio de Contas, preservando o trecho do rio que margeia sua zona urbana e uma queda d’água menor – a Cachoeira do Fraga – que fica nos domínios daquele município. Se não houvesse risco, seriam despejados próximo a essa cidade, a apenas 200 metros da estação de tratamento e não conduzidos por 2.500 metros, onerando os custos.
- Diante disso, o mais sensato é que a efetivação do despejo se dê em local mais apropriado, o que não falta na área, distante da corrente fluvial.
- A conclusão da obra está prevista para maio deste ano, havendo ainda tempo de se buscar alternativas. Acrescente-se que há cartazes na região indicativos de que o projeto é beneficiário de recursos federais.
- Os textos anexos ampliam o relato aqui feito, sendo inegável se reconhecer que há direitos difusos e coletivos sob ameaça, bem como direitos fundamentais guardados pela CF, por dizerem respeito a: meio ambiente, economia, saúde e à vida dos cidadãos.
O PEDIDO
Que esta chefia, devido o fato envolver vários municípios, o Estado da Bahia, o Governo Federal e entidades estatais de proteção ambiental, como o IBAMA, determine o encaminhamento devido desta representação, conforme as atribuições constitucionais do MP, para que as providências não tarde, em favor do povo sofrido da região, que têm como única esperança este egrégio MINISTÉRIO PÚBLICO, tão importante em nosso país. Pede deferimento! Livramento de Nossa Senhora, Bahia, 17 de março de 2009”.
Fonte: O Mandacaru
sexta-feira, 20 de março de 2009
PRODUTORES DE CACHAÇA DE RIO DE CONTAS PARTICIPAM DA EXPOCONQUISTA 2009
PRODUTORES DE CACHAÇA DA BAHIA MONTAM ESTRATÉGIAS DE VENDA
Por Jeremias Macário
Durante a Feira Coopmac-Sebrae que se realiza até o próximo domingo (dia 22) dentro da Exposição Agropecuária, Industrial e Comercial de Vitória da Conquista, a Expoconquista 2009, os produtores de cachaça de qualidade de várias marcas da Bahia se reuniram para montar suas estratégias de vendas nos mercados interno e externo e vencer a concorrência dos produtos clandestinos.
Na Expoconquista 2009 promovida pela Cooperativa Mista Agropecuária Conquistanse –Coopmac, os fabricantes de cachaça estão realizando nos estandes do “Espaço Sebrae” demonstrações de degustação e apresentação de seus produtos aos distribuidores e comerciantes da região. A Feira Coopmac-Sebrae funciona com 142 estandes de diversificados produtos e foi aberta no último sábado, devendo receber um público de 200 mil pessoas até domingo.
Primeira marca registrada
Há quatro anos no mercado, a cachaça “Engenho Bahia”, no município de Ibirataia (Extremo Sul), foi a primeira a receber a marca do Inmetro (no Brasil só existem 28 com essa marca) e apenas os estados do Rio Grande do Sul, Pernambuco, Minas Gerais, São Paulo e Bahia têm essa certificação.
Josafar Rebouças, do Departamento Comercial de Vendas da empresa disse que a cachaça é envelhecida durante dois anos em barris de Jequitibá, Umburana, Bálsamo e Putumuju. Para ter o certificado é exigido vários requisitos, inclusive cuidados com o meio ambiente como não queimar lenha. A fiscalização das instalações e equipamentos é bastante rigorosa.
A “Engenho Bahia”, que participa pela terceira vez da Expoconquista, produz uma média mensal de 200 caixas (12 unidades cada caixa), e o mercado dela se concentra basicamente em Salvador, Porto Seguro, Ilhéus e Itabuna, sem contar São Paulo, Londrina, Recife e Minas Gerais, mas já enviou amostras para a Espanha, visando atingir o exterior.
Tanto Josafar como o produtor Nelson Luz, de Abaira, afirmam que, apesar das dificuldades e dos altos e baixos, a cachaça tem crescido nos mercados interno e externo, bem como melhorado sua participação em feiras e eventos como na Feira Coopmac-Sebrae, em Conquista.
Além da questão da tributação, Nelson se queixa da burocratização para a Cooperativa de Abaira conseguir o selo, “mesmo com o cumprimento de todas as normas trabalhistas e da legislação para se manter um produto de qualidade”. Em convênio com o Sebrae e outros órgãos governamentais, a Cooperativa está tentando obter a indicação geográfica no mundo para a Cachaça de Abaira.
De acordo com Nelson Luz, a região de Abaira produz hoje cerca de 150 mil litros por ano de cachaça engarrafada que é vendida pela Cooperativa a R$10,00 por unidade. A entidade, além da aguardente, vai produzir a partir de setembro o açúcar mascavo, o cristal e outros derivados. Através da EBDA, a Cooperativa conseguiu R$1 milhão para ser investido em equipamentos de novas agroindústrias.
Na região, que conta com o plantio de quatro mil hectares de cana, com produtividade média de 58 toneladas por hectare, o Sebrae é um dos parceiros fortes no incremento do produto através da metodologia da Gestão Estratégia Orientada para Resultados (GEOR). O trabalho tem sido feito em conjunto com a Secretaria de Agricultura, Banco do Brasil, do Nordeste, sindicatos e prefeituras.
Em Rio de Contas funcionam dois alambiques a Tombad’ Ouro e Serra das Almas. Só a Tombad’Ouro produz 10 mil litros por ano que são destinados ao mercado interno. Mas, o produtor da unidade, Luis Carlos Farias garante que o sonho é conquistar o mercado externo. Lamenta que a cachaça industrial ainda receba mais subsídios do governo que a artesanal.
Outras marcas que estão lutando pelo mercado são a Matinha (Piripá) e a Taquaril (Licínio de Almeida) da Coodecana (Cooperativa de Produtores de Derivados de Cana do Vale do Rio Gavião). Segundo o presidente da entidade, Jurandir Costa Viana, as duas fábricas produzem por ano cerca de 180 mil litros. “Nosso produto está entrando agora no mercado formal”, mas a Coodecana já existe há quatro anos e conta com 157 associados que têm mais de 300 hectares plantados de cana. As maiores dificuldades apontadas por Jurandir estão nas áreas da assistência técnica e do crédito, “mas estamos buscando parcerias para contornar os problemas”.
O distribuidor de cachaça para Feira de Santana e Salvador, Jairo Cerqueira confirma que a rejeição ao produto de qualidade ainda é grande devido a concorrência desleal das aguardentes clandestinas no mercado. Na sua avaliação, o Sudeste e o Nordeste (Recife) são os maiores consumidores do produto baiano.
Como parceira, o Sebrae trabalha ainda com as marcas Poço da Pedra (Caculé), Rio do Engenho (Ilhéus), Morro de São Paulo (Jaguaripe), Cachaça Portal da Chapada (Livramento de Nossa Senhora), Ribeirão (Mutuípe e Amargosa) e a Cabeceira do Rio (Utinga e Morro do Chapéu).
BARREIRA DE MERCADO
A cachaça baiana de qualidade vem enfrentando há anos uma luta difícil para conquistar e se firmar no mercado, apesar do Estado ser o segundo maior produtor do Brasil logo depois de Minas Gerais. Os maiores obstáculos, mesmo com todas as estratégias mercadológicas montadas pelos produtores e parceiros envolvidos com a fabricação da aguardente, têm sido a alta tributação do IPI e a pesada concorrência da indústria de outros destilados, como vinhos, uísques e fermentados, como da própria Cachaça Industrial ou de Coluna que paga menos impostos e apresenta preços mais baixos de seus produtos.
Para vencer essas barreiras apontadas pelo coordenador de Projetos da Cachaça do Sebrae/Bahia, Paulo Mesquita, produtores, distribuidores e comerciantes se reuniram no último dia 16 no Encontro de Negócios –Promoção da Cachaça e Derivados, na Feira Coopmac-Sebrae que se realiza até o próximo domingo (dia 22) dentro da Exposição Agropecuária, Industrial e Comercial de Vitória da Conquista, a Expoconquista 2009. As marcas de qualidade estão sendo expostas num espaço da Feira reservado pelo Sebrae.
A saída recomendada por Mesquita para esses entraves é a participação cada vez mais intensa em feiras e eventos, bem como ações promocionais de campanhas e divulgação na área de marketing que gerem novos negócios. Para Conquista, por exemplo, além da Exponconquista, os produtores pretendem participar do Festival de Inverno em agosto e realizar eventos de gastronomia entre bares e restaurantes, com a degustação da cachaça de qualidade.
Reduzir imposto e desburocratizar
Contra a alta tributação do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) que chega a mais de 80% do valor da cachaça, como desabafou Nelson Luz Pereira, produtor e membro da Coopama – Cooperativa dos Produtores Associados de Cana e seus Derivados da Microrregião de Abaira, a luta, em conjunto com os órgãos parceiros do segmento, é convencer o governo federal a reduzir o imposto e desburocratizar os processos de certificação do produto.
O palestrante Paulo Mesquita reconhece que a taxa do IPI é elevada e disse que o Sebrae, ao lado da Secretaria da Agricultura do Estado, do Ministério da Agricultura, universidades e outros órgãos, vem realizando atividades em nível de gestão empresarial, de aperfeiçoamento tecnológico e de acesso ao mercado no sentido de apoiar o pequeno negócio da cachaça. O foco, segundo ele, é buscar tratamento diferenciado para os pequenos produtores de derivados da cana que não contam com determinadas vantagens auferidas por outros negócios.
Explicou que a gestão administrativa e financeira é trabalhada pelo Sebrae através das organizações (cooperativas e associações) desses negócios ou com consultoria individual, sempre procurando preservar a segurança alimentar do produto, citando como exemplo a cachaça “Engenho Bahia” (Ibirataia) que conseguiu no Estado o primeiro certificado de conformidade do Inmetro.
Na Bahia o órgão presta assistência a nove rótulos nos pólos de Abaira (Jussiape, Mucugê e Piatã), Extremo Sul (Ibirataia), Paulo Afonso, Vale do Rio Gavião (Piripá e Licínio de Almeida) e nos municípios de Itarantim, Caetité, Rio de Contas e Livramento de Nossa Senhora. Está ainda em formação o pólo da Região Litorânea, de Jaguaripe a Ilhéus.
Com sua ação de apoio na área da cachaça, o Sebrae beneficia indiretamente cerca de três mil pessoas e 800 a mil diretamente, de acordo com cálculos de Paulo Mesquita. Existem na Bahia sete mil produtores, só que menos de 1% desse total é a parte saudável, ou seja, unidades formais.
Preconceito e mercado exterior
Segundo dados do coordenador do órgão, o volume de produção na Bahia é superior a cinco milhões de litros por ano (no Brasil cerca de 1,3 bilhão de litros), mas somente 350 a 500 mil litros no Estado são de alambiques legalizados. Confessa que a cachaça de qualidade enfrenta a competitividade do produto clandestino e o preconceito do público consumidor que prefere a vodka e o uísque.
Além do mercado interno que absorve a maior parte da produção, uma das saídas é a conquista do comércio exterior. E isso a cachaça de Abaira já deu o ponta pé inicial com a venda em março do ano passado de um lote de 21 mil garrafas para a Itália. Existe a promessa de mais 80 mil litros para o mesmo país neste ano de 2009 como informou Nelson Luz Pereira, membro da Coopama (Cooperativa dos Produtores Associados de Cana e seus Derivados da Microrregião de Abaira) e chefe do escritório local da EBDA).
Também, compartilhada com o comércio de outros produtos, a cachaça “Serra das Almas”, em Rio de Contas, tem sido vendida para o exterior. No entanto, Paulo Mesquita denuncia que o produto artesanal de qualidade tem sofrido uma competição pesada da Cachaça de Coluna, como da Pitu, da 51 e da Caninha da Roça na Europa.
Acontece que o produto industrial lá fora não atua como cachaça, mas como ingrediente para se fazer a Caipirinha. Mesmo com essa concorrência, “a Serra das Almas já desbancou uma cachaça de Coluna na Suíça” Existem outros mercados promissores como Portugal, Alemanha, Bélgica e Áustria que estão em negociação.
O coordenador regional do Sebrae/Conquista, Cláudio Cardoso disse que o encontro com os produtores e comerciantes na Feira Coopmac-Sebrae demonstra o trabalho que o órgão vem desenvolvendo para melhorar a qualidade do produto. Para ele, foi mais uma oportunidade oferecida aos produtores, visando o incremento dos seus negócios e a expansão do mercado. “A própria participação num evento como esse é um esforço do Sebrae no sentido de dar condições para que o fabricante coloque seu produto no comércio”.
Na Bahia, conforme avaliação feita por Cláudio, a cachaça sempre teve uma produção marginalizada do ponto de vista da legislação e de suas especificações técnicas. Porém, “nos últimos cinco anos houve esse movimento do Sebrae como parceiro, apoiando no preparo das embalagens, no registro e na organização da cadeia, para criar oportunidades de competição com outros mercados”.
Fonte: Blog do Paulo Nunes
quarta-feira, 18 de março de 2009
Reizeiros do Povoado de Barro Branco - Vídeo
Registro exclusivo do Acervo Origens realizado na cidade de Rio de Contas-BA dia 17.01.09
www.acervoorigens.blogspot.com